Regras fundamentais para a correção textual competente

Tendo percorrido toda a extensão das linhas mestras gerais que nos ensinam a discernir a melhor alternativa de texto, com base em sete cânones, chegamos agora a um resumo conclusivo que aparece no excelente livro de Ernst Würthwein, The text of the Old Testament [O texto do Antigo Testamento] (Nova York, Macmillan, 1957, p. 80-1). Würthwein não é um especialista evangélico, mas representa os mais elevados peritos alemães na área da crítica textual, e suas recomendações quanto a procedimentos estão acima de qualquer suspeita — exceto, talvez, por parte de críticos que desejam alterar o texto das Escrituras que recebemos, de tal modo que estas se adaptem às suas próprias idéias e as aprovem, pois já determinaram o que o texto deve dizer. Aqui está, pois, a fórmula de Würthwein:

  1. Quando o TM e outros testemunhos apresentam a mesma redação, sensata e inteligente, que o texto permaneça como está, sem especulações. (É inadmissível que se rejeite esse texto e se pratiquem conjecturas, como tantos se atrevem a fazer.)

 

  1. Onde houver um desvio genuíno do TM por parte de outros testemunhos e ambos os textos pareçam igualmente sensatos, a preferência deve ser dada ao TM.

 

  1. Quando o texto do TM por alguma razão for duvidoso ou quase impossível — seja da perspectiva da gramática, seja do bom sentido contextual — e o texto apresentado por outros testemunhos oferece sentido satisfatório, este deve merecer cuidadosa consideração, sobretudo quando se verifica que o texto do TM pode ser resultante de um dos erros comuns dos escribas (descritos anteriormente). Porém se houver razão para crer que o antigo tradutor forjou um texto claro, por não conseguir interpretar o sentido do texto hebraico à sua frente, e, portanto, tentou adivinhar o sentido que o autor lhe queria atribuir, temos então um texto antes obscuro que sofreu tentativas de esclarecimento mediante o emprego de conjecturas, tornando-se espúrio.

 

  1. Quando nem o TM nem outras testemunhas conseguem apresentar um texto plausível, as conjecturas são o único caminho para o crítico. Contudo, ele deve fazer o máximo no sentido de reconstituir o texto, de modo que fique tão próximo quanto possível das palavras corrompidas encontradas no texto recebido, tomando conhecimento pleno dos padrões de erros dos escribas e as várias alternativas de leitura, as quais pode facilmente ter se desenvolvido a partir do texto original.

 

  1. Em todo o seu trabalho com problemas textuais, o crítico deve prestar atenção à psicologia do próprio escriba. De que maneira teria caído nessa falha, caso seja mesmo um erro? Até que ponto o manuscrito se conforma com seu hábito mental ou procedimento observável no resto do livro?

Mediante essa fórmula, desenvolvida com o máximo cuidado, Würthwein delineou um método honesto de objetividade científica, um procedimento sistemático que serve para eliminar grande parte das emendas negligentes, atrevidas e infundadas, costumeiramente atiradas sobre as pessoas à guisa de crítica textual honesta.

Fonte: Enciclopédia de Temas Bíblicos
Respostas às principais dúvidas, dificuldades e “contradições” da bíblia
Gleason Archer
Editora : Vida – pgs 39-40