O Messias prometido

Das profecias acerca do Seu nascimento à Sua ascensão ao céu, a Cristologia lida com um grande mistério. Emanuel, “Deus conosco”, esteve aqui. Todos os fatos que envolvem a pessoa de Cristo devem ser considerados, ou seja, cada palavra, cada gesto. Diante de fatos tão complexos, cabe ao estudante da Cristologia fazer esta pergunta, com toda reverência e humildade: Que pessoa é essa que participou da criação do mundo, veio à terra, fez-se homem, realizou coisas extraordinárias, morreu em uma cruz, ressuscitou ao terceiro dia e subiu ao céu, à vista de quase 500 irmãos, se não é Deus? Estudar a vida de Cristo é descobrir o que de mais maravilhoso se pode encontrar na vida de um ser. É algo que transcende qualquer biografia jamais escrita e orna as mais requintadas bibliotecas do mundo. Estudar Cristo não é decifrá-lo, porque ninguém pode decifrar Deus, o Pai; mas é deleitar-se em um
conhecimento sem fim, que se inicia aqui e prossegue por toda a eternidade.

“E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). O termo Messias vem do hebraico Mashiah, e significa “ungido”. O verbo correspondente é “untar” ou “ungir”. Untar é um termo muito usado pelas donas de casa quando esfregam óleo na forma, antes de jogarem a massa para assar uma torta ou uma carne. O termo mashach também é aplicado para derramamento de óleo para aspersão sobre objetos ou pessoas, algo de profunda significação no Antigo Testamento.5 O verbo masah aparece, no Pentateuco, 29 vezes no perfeito, no imperfeito, no infinitivo, no particípio de qale, no infinitivo de niphal. Nos livros proféticos, aparece 30 vezes. Amós usa esse verbo para referir-se aos costumes de mulheres pecadoras que se perfumavam com óleos finos (Am 6.6). O verbo grego éxpioév, ékrisén, usado na Septuaginta, é o que aparece também no Novo Testamento (Lc 4.18; At 4.27; 10.38).

Ele surge também como qualificativo da pessoa de Jesus em João 1.41 e 4.25. A grande intriga dos judeus, dos dias de Jesus até hoje, é admitir que Jesus é o Messias, conforme as profecias referentes à Sua pessoa. Por que há tanta implicância em admitir esse fato? Em que consiste, afinal, ser Jesus o Messias? Consiste em ser a manifestação de um Rei divino, que vem para ocupar o Seu legítimo trono em um reino teocrático. De modo geral, no período monárquico, o rei é visto sempre como um enviado de Deus, pois é chamado de “Ungido de Yahweh”. Muitos se candidataram a esse trono, dizendo-se Messias, mas cada um foi desmascarado a seu tempo. Conhecemo-lo por meio de revelações históricas e até mesmo bíblicas, que descrevem pelo menos dois casos: Teudas e Judas (At 5.36,37). Os pseudomessias não preenchiam os requisitos indispensáveis para tão elevada posição. No caso de Jesus, houve incessantes batalhas, movidas pelos religiosos, para tentar impugná-lo, e isso foi levado até o fim, até o dia em que conseguiram matá-lo, mas não puderam explicar a Sua ressurreição, engendrando, assim, uma mentira que até hoje sustentam (Mt 28.11-15).

5. GRONINGEN, Gerard Van. Revelação Messiânica no Velho Testamento. Campinas: Editora Luz para o Caminho, 1995. p. 27.

Fonte:

Livro: TEOLOGIA PARA PENTECOSTAIS UMA TEOLOGIA SISTEMÁTICA EXPANDIDA, Vol 2, Pags 17-18

Autor: Waletr Brunelli