A profecia sobre Ciro

A pessoa e carreira de Ciro II são bem conhecidas pelos registros históricos de Heródoto em Guerras Persas, Xenofonte nas Crônicas de Nabonido e na Narrativa em Versos Persas. Sua primeira campanha militar contra Creso, rei da Lídia, em 546 a.C., também está implícita na predição de Isaías (Is 45.3). Então, em 12 de outubro de 539 a.C., Ciro lançou uma invasão contra Nabonido, rei da Babilônia. Tanto Heródoto quanto Xenofonte descrevem como Ciro sitiara a cidade, mas sua ação fora escarnecida pelos babilônios, que tinham acumulado anos de reservas, pois há muito esperavam uma invasão persa. A arrogância dos bem abastecidos babilônios está retratada no livro de Daniel. Este profeta registrou que mais de mil nobres atenderam um grande banquete, enquanto Ciro e seu exército estavam acampados fora dos muros da cidade (Dn 5.1), fato também notado por Heródoto em Xenofonte. Aqui Daniel não menciona Nabonido, mas o filho dele, Belsazar, cuja função foi confirmada pela descoberta arqueológica de uma inscrição cilíndrica num dos quatro cantos do zigurate em Ur. Nesta inscrição de Nabonido, pertencente ao século VI a.C., Belsazar é chamado de filho primogênito de Nabonido e acha-se incluso na oração do rei, ato reservado somente à realeza.

No banquete de Belsazar foram usados alguns dos utensílios sagrados do Templo de Jerusalém, talvez para mostrar que os deuses da Babilônia eram superiores no propósito de fomentar a moral cívica (Dn 5.2-4). Esta ação era em si profética dos eventos futuros, visto que Ciro foi profetizado como aquele que derrotaria a Babilônia e restituiria esses utensílios (Ed 1.7- 11; Is 52.11,12). Depois de Daniel ter interpretado a misteriosa escrita que apareceu na parede durante o banquete, ele profetizou que a Babilônia cairia diante de Ciro (Dn 5.28). Daniel observou que esta profecia foi cumprida “naquela mesma noite”, quando o exército persa invadiu a cidade num ataque surpresa. Na descrição que Heródoto e Xenofonte fizeram sobre como tudo aconteceu, eles confirmam a declaração de Daniel de uma invasão rápida e inesperada. Esses historiadores registram que o ataque veio depois que o exército persa desviou o curso das águas do rio Eufrates, o que fez com que o nível do rio sob os muros da cidade baixasse, tornando o leito do rio acessível às tropas. Desta forma, Ciro subiu ao trono e cumpriu a profecia a longo prazo de Isaías e a profecia a curto prazo de Daniel.

O decreto de Ciro

No primeiro ano do seu reinado (538 a.C.), Ciro emitiu o decreto que permitiu aos judeus cativos voltarem a Jerusalém e reconstruírem o Templo: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra; e ele me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que é em Judá, e edifique a Casa do SENHOR, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém. E todo aquele que ficar em alguns lugares em que andar peregrinando, os homens do seu lugar o ajudarão com prata, e com ouro, e com fazenda, e com gados, afora as dádivas voluntárias para a Casa de Deus, que habita em Jerusalém (Ed 1.2-4). Documentos antigos nos revelam que as leis dos medos e dos persas eram inalteráveis e difusas. Como Alan Millard observou: “Onde quer que o rei Persa estivesse, lá estava o governo, pois tudo dependia da sua lei. Assim, quando ele fazia uma proclamação tinha de ser levada a toda parte do império a que dizia respeito”.

Esdras dá um exemplo disto ao citar a lei do rei Dario, que amaldiçoou aqueles que procurarem alterar a lei de Ciro, que protege os judeus que voltaram para reconstruir o Templo (Esdras 6.1-12). Em 1973, os arqueólogos franceses acharam uma grande esteia persa num templo grego em Xantos, Turquia, escrita em aramaico, grego e lício, que em termos estruturais é bem parecida com o decreto registrado em Esdras. Os arqueólogos ainda têm de encontrar uma cópia do decreto de Ciro como está preservado no Antigo Testamento. Contudo, já descobriram um cilindro de pedra inscrito em caracteres cuneiformes que fornece significativos paralelos persas a certos aspectos da narrativa bíblica. Este registro em caracteres cuneiformes é conhecido como o Cilindro de Ciro. Seu texto começa quase igual ao registro bíblico, com Ciro dando crédito ao seu deus Merodaque por tê-lo escolhido para uma tarefa especial e exaltado a uma posição a fim de poder executá-la. Também semelhante à profecia de Isaías, o texto do cilindro diz que Ciro afirma que o seu deus “pronunciou o nome de Ciro, rei de Ansa, [e] pronunciou o seu nome para ser o governante de todo o mundo”.De maneira muito semelhante, Deus chamou Ciro pelo nome e o pronunciou governante (Is 45.1,2).

Isaías tinha dito que Ciro, como ungido (literalmente, “messias”) de Deus, cumpriria “tudo o que me [a Deus] apraz” (Is 44.28). No cilindro, Ciro proclama que os deuses “Bei e Nebo amam” seu governante e o querem como rei para “agradar seus corações”. De maior interesse ainda são as declarações do cilindro pertinentes à política persa em relação aos povos cativos, como os israelitas, e aos seus objetos rituais sagrados que lhes foram saqueados: […] Voltei às cidades sagradas do outro lado do rio Tigre, os santuários [dessas cidades] que por muito tempo estiveram em ruínas, as imagens que [costumavam] estar nesses lugares, e estabeleci para elas santuários permanentes. [Também] reuni todos os seus [antigos] habitantes e [os] fiz voltar às suas habitações. Além disso, repus, sob o comando de Merodaque, o grande senhor, todos os deuses da Suméria e da Acádia que Nabonido trouxera para a Babilônia sob a ira do senhor dos deuses, incólumes, em suas [antigas] capelas, os lugares que os fizeram felizes.

Que todos os deuses que recoloquei nas suas cidades sagradas roguem diariamente a Bei e a Nebo por vida longa para mim e que eles me recomendem […] a Merodaque, meu senhor, que eles digam assim: Ciro, o rei que o cultua, e Cambises, seu filho, […] todos eles coloquei num lugar de paz. Os babilônios capturaram os utensílios sagrados do Templo de Jerusalém e os levaram a Sinar, onde localizava-se o templo dos babilônios (Dn 1.2). Este procedimento estava de acordo com o costume dos conquistadores que levavam embora os ídolos dos deuses das cidades conquistadas, a fim de mostrar o poder superior dos seus próprios deuses. Os babilônios também profanaram esses utensílios em zombaria ao Deus de Israel (Dn 5.1-4). Ciro, consoante à política persa refletida no Cilindro de Ciro, respeitou os deuses dos cativos estrangeiros e devolveu todos os utensílios do Templo quando permitiu que os judeus voltassem à sua pátria e reconstruíssem o Templo (Ed 1.7-11).

Esta passagem revela que os persas tinham mantido inventário preciso destes artigos (5.400, ou 5.469 segundo a Septuaginta) quando os restituíram aos israelitas. Isaías e Jeremias haviam profetizado que estes utensílios seriam devolvidos pela Babilônia com segurança (Is 52.11,12; Jr 27.16—28.6). Quando Ciro transferiu os utensílios para o sacerdote Sesbazar de Judá (Ed 1.7-11), ele cumpriu estas profecias. Este não é o único exemplo no qual a arqueologia confirmou o cumprimento da profecia bíblica. Os profetas do Antigo Testamento e Jesus no Novo Testamento pronunciaram julgamentos que a pá do arqueólogo revelou terem- se cumpridos muito literalmente.

Fonte:

A estatística da probabilidade profética calculou que as chances do cumprimento de 11 profecias eram de 1 em 5,76 x 10 . Este resultado astronômico foi colocado em condições práticas por Peter W. Stoner, Science Speaks: An Evaluation of Certain Christian Evidences (Chicago: Moody Press, 1963), pp. 95-98. Para as probabilidades proféticas de algumas das profecias alistadas neste capítulo, vide Josh McDowell, Evidence That Demands a Verdict: Historical Evidences for the Christian Faith, edição revista (San Bernardino, Califórnia: Here’s Life Publishers, Incorporated, 1986), volume 1, pp. 318-320