A aventura da arqueologia

Revelando os segredos das eras passadas

Vivemos um período de entusiasmar! Descobertas arqueológicas estão brotando por todo o mundo, mais rápido do que os nossos jornais podem informar. E são boas as notícias para os estudantes das Escrituras: grande parte dos achados está ajudando, como nunca antes, na compreensão da Bíblia. Para ilustrar o quanto e quão rápido o passado está invadindo o presente, aqui estão apenas algumas das maravilhosas descobertas, com relevância para a Bíblia, feitas até a época deste escrito, no início de 1997:

• Uma câmara escondida foi descoberta no vale do Rei (Luxor, Egito) próximo à tumba do famoso rei Tut. Ela pode ser o lugar do sepultamento do primogênito do faraó Ramsés II. Se for correta a teoria de que era ele o faraó do Êxodo, então seu filho foi morto na última praga ordenada por Moisés.

• Sob as ondas da costa de Alexandria, Egito, milhares de artefatos dos anos 670-30 a.C. foram encontrados. Entre eles, uma das sete maravilhas do mundo antigo, o grande farol de Alexandria, desaparecido há mais de 2.200 anos. Outras descobertas incluem palácios reais de figuras famosas como a rainha Cleópatra, Júlio César e Marco Antônio. E, em algum lugar nesse sítio submerso de cerca de cinco acres e meio, arqueólogos creem que encontrarão pelo menos o sarcófago dourado de Alexandre, o Grande, que fundou a cidade em 323 a.C. e cuja conquista do mundo conhecido foi predita pelo profeta hebreu Daniel (veja Dn 11.3,4).

• Descoberta recente, ainda não publicada, é a de uma inscrição cuneiforme de 3.500 anos sobre um prisma de argila do reino sírio deTikunani. Os primeiros trabalhos de tradução levaram ao anúncio de que o texto pode finalmente conter a identidade há muito procurada dos enigmáticos habirus, povo que alguns acreditam estar relacionado aos hebreus bíblicos.

• Há notícias de que satélites, utilizando-se de raios infravermelhos, localizaram o desaparecido rio Pisom. Há muito enterrado pelas areias do deserto, seu antigo curso pôde ser traçado pelo satélite no leito de Farouk El-Baz, que corre de Hijaz, no Oeste da Arábia, até o Kuwait. Esse rio, junto com os bem conhecidos Tigre e Eufrates, ajuda a definir a localização do jardim do Éden na Bíblia (Gn 2.11).

• E, falando no jardim do Éden, chega de Israel a notícia de uma serpente fossilizada com pernas traseiras bem desenvolvidas encontrada numa pedreira. A descoberta de uma cobra com pernas dá relevância à história da serpente descrita no relato da tentação, no livro de Gênesis (Gn 3.1-15).

• Já ouviu falar nos misteriosos essênios? Cinquenta tumbas descobertas recentemente em Beit Safafa, sudoeste de Jerusalém, podem ser a primeira evidência dessa comunidade perdida. Crê-se que um grupo de essênios habitou Qumran e produziu os manuscritos do mar Morto. As tumbas de Jerusalém são do mesmo período e exatamente iguais às de Qumran. Esse achado pode ser o elo que faltava entre Jerusalém e Qumran, resolvendo finalmente o enigma da autoria dos manuscritos do mar Morto. Se esses relatórios são insuficientes para entusiasmá-lo, talvez seja porque notícias desse tipo estão cada vez mais comuns nesta era de redes de informação 24 horas e de variados programas educacionais de televisão. Para realmente apreciarmos as revelações arqueológicas de nossos dias, será preciso fazer uma pequena viagem à época em que tais informações eram desconhecidas para o mundo.

Era assim

No início do século XVIII, ninguém podia sonhar que maravilhas a arqueologia estava para revelar. O mundo do passado estava amplamente esquecido, exceto pela procissão histórica de nomes antigos de pessoas e lugares, mas não havia qualquer evidência física de que eles realmente houvessem existido. Típica daquele tempo era a observação de Herder:

• No Oriente Próximo e no vizinho Egito, tudo que é dos tempos antigos nos parece ruínas ou um sonho que desapareceu […] Os arquivos da Babilônia, Fenícia e Cartago não existem mais; o Egito sucumbiu praticamente antes que os gregos conhecessem o seu interior. Assim, tudo se restringe a algumas folhas desgastadas que contêm histórias sobre histórias, fragmentos de história, um sonho do mundo anterior ao nosso. Essa era a condição de nosso conhecimento material sobre a Antiguidade há apenas dois séculos. A Bíblia era o único testemunho a respeito dela própria. De um lado, o leitor era abençoado por suas verdades, ainda que de outro lado ele fosse frequentemente deixado a perguntar-se acerca dos lugares e eventos nela registrados. Havia, é lógico, muitas fontes de literatura antigas — comentários sobre a história antiga e bíblica, como o Talmude, Josefo e os escritos greco-romanos —, mas estavam disponíveis somente para quem fosse treinado em literatura clássica.

Os demais tinham de contentar-se com a sua fé e imaginar o mundo bíblico sem nenhuma outra referência além do mundo no qual viviam. E, mesmo para os especialistas, o passado era um quadro nebuloso e imaginário. O fato de o passado aparentemente não ter nada a oferecer gerou uma apropriada ilustração da mortalidade do homem e uma ponderação filosófica sobre a sua transitoriedade. Foi com essa atitude mental que Dunsany escreveu o seu contemplativo solilóquio: Foi à aranha que falou: “O trabalho do mundo é construir cidades e palácios. Mas não para o homem. O que é o homem? Ele apenas prepara cidades para mim e as aperfeiçoa. Leva de dez a cem anos para construir uma cidade e por mais quinhentos ou seiscentos a aprimora, e fica preparada para mim. Então passo a habitá-la, e me escondo de tudo o que é feio e faço belos fios sobre ela, de um lado para o outro […] Para mim Babilônia foi erguida, e a rochosa Tiro; e os homens ainda constroem minhas cidades! O trabalho do mundo é a construção de cidades, e eu herdo todas elas!”

Desenterrando o passado

A arqueologia, no entanto, humildemente reclama essa herança para o homem. Ela espanta as aranhas do tempo e ressuscita a glória desvanecida do passado para que uma geração a entenda e aproveite. Sob alguns aspectos, ela também repeliu algumas noções céticas concernentes à Bíblia, que alcançaram popularidade com a invasão da Alta Crítica, há mais de um século. Esse avanço tornou-se possível graças ao trabalho da pá, quando começaram a vir à luz perspectivas do mundo da Palavra. Na verdade, como orgulhosamente declarou o professor William Foxwell Albright, deão da velha escola: “descoberta após descoberta [a arqueologia] tem estabelecido a exatidão de inumeráveis detalhes e trazido reconhecimento crescente ao valor da Bíblia como fonte de história”. Enquanto para muitos arqueólogos modernos a visão de Albright continua a ser desafiada, as evidências da arqueologia aumentam sem parar.

Décadas atrás, o Dr. Donald J. Wiseman podia gabar-se de que “a geografia das terras bíblicas e resquícios visíveis de antiguidade foram gradualmente registrados, até hoje: mais de 25 mil sítios dentro dessa região e datando dos tempos do Antigo Testamento, em seu mais amplo sentido, foram localizados”. Hoje, todavia, os resquícios são centenas de milhares. Com tal abundância de artefatos — e com outros vindo à tona o tempo todo — é difícil, se não impossível, para nós estudantes das Escrituras nos mantermos atualizados quanto a cada item que tenha relevância bíblica. Contudo, livros como este são uma tentativa, uma proposta de jornada ao berço da Palavra — as terras, as línguas e o ambiente do Livro dos livros. Para iniciarmos nossa viagem, faz-se necessário um entendimento básico do assunto.

Fonte: Livro: Arqueologia Bíblia- Autor: Randall Price, Editora: CPAD, pags- 17-21