O mundo dos Patriarcas

O mundo dos Patriarcas

OS PATRIARCAS Lendas vivas ou vidas lendárias? A única história conhecida pelos israelitas durante sua escravidão no Egito era aquela transmitida para eles por seus ancestrais — os patriarcas (“pais que governam”). Era uma história de aliança e promessa entre Deus e seus pais, que dava ao povo de Israel esperança mesmo no meio da opressão. Por esta razão, quando Deus agiu para libertar o seu povo dos egípcios, Ele escolheu identificar-se com os patriarcas — como “O Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó” (Êx 3.6,15,16; 4.5; Lc 20.37,38). Através disso, eles deveriam ter a certeza de sua libertação, pois Deus havia feito uma aliança com os patriarcas, que Ele havia jurado cumprir (Êx 6.3-8). De fato, a prática da circuncisão, que ainda é realizada nos meninos judeus hoje, testifica para a comunidade judaica uma contínua identificação com os patriarcas bíblicos que viveram 4.000 anos atrás. Os patriarcas continuam sendo o pilar central da autodefinição judaica, e a aliança patriarcal continua sendo a base histórica para o direito de Israel à sua terra antiga. Menosprezando os patriarcas Pode parecer um estranho ato de negar a si mesmos quando muitos críticos eruditos judeus se juntam aos seus colegas gentios na crença de que os relatos bíblicos dos patriarcas não são históricos. Posso lembrar bem da primeira vez que tomei conhecimento disso. Eu havia completado meus estudos no Dallas Theological Seminary e era um estudante graduado na Universidade Hebraica de Jerusalém. No Dallas Seminary, as narrativas patriarcais eram ensinadas como história verdadeira, e presumi que fosse do mesmo jeito nesta respeitável instituição acadêmica israelita. Todavia, em meu primeiro dia num curso sobre a história antiga de Israel, o professor, que era um dos mais renomados arqueólogos israelitas, declarou com absoluta convicção: “Abraão nunca existiu, mas seus primos, sim!” O professor continuou explicando que as histórias bíblicas sobre Abraão, Isaque e Jacó eram simplesmente contos do campo que haviam sido passados através dos séculos e que tinham virado lendas (ele usou a palavra saga). Ele disse que os patriarcas foram apenas uma projeção retroativa criada pelos judeus nacionalistas em meados do primeiro milênio (600-400 a.C.). Estes nacionalistas estavam procurando criar um passado glorioso, ainda que não histórico. Para apoiar seu ponto de vista, ele declarou que a evidência arqueológica não sustentava a existência do período patriarcal. Arqueologia à parte, lembro-me de destacar, com minha timidez jovem, que tal visão para os israelitas, cujos reclames territoriais repousavam em parte sobre a aliança abraâmica, e que hoje são assunto de debate internacional, era equivalente a serrar o galho sobre o qual estavam sentados. Hoje, com meu juízo mais amadurecido, eu diria que na verdade derrubaria a árvore toda (veja Rm 4.13; 11.28,29)! Incidentalmente, os cristãos deveriam compartilhar uma preocupação sobre esta visão, porque, no Novo Testamento, Abraão é chamado “pai de todos nós” (Rm 4.16), e crentes em Cristo são considerados seus “filhos” e “descendência, herdeiros segundo a promessa” (G1 3.7,29). Além disso, a historicidade dos patriarcas é aceita Continue lendo

As tumbas dos patriarcas

As tumbas dos patriarcas

No caso dos patriarcas de Israel, a arqueologia tem preservado para nós não apenas suas memórias, mas também seus memoriais. Nós geralmente dizemos de um modo figurado que as pessoas “enterram suas memórias”, mas normalmente esta frase não é usada em sentido literal. Elas geralmente não fazem isso tão literalmente. Porém, quando se trata dos patriarcas (e matriarcas), os lugares de seus sepultamentos ainda estão conosco hoje. Que histórias estas tumbas contam? O lugar do sepultamento dos patriarcas Um dos mais conhecidos e controversos sítios na terra de Israel é a Tumba dos Patriarcas na cidade de Hebrom. O conflito que envolve esta cidade hoje entre judeus e árabes pelo direito a este lugar sagrado é um testemunho de eras a favor da presença dos patriarcas, dos quais ambos os grupos alegam descender. Na Bíblia lemos que depois da morte da esposa de Abraão em Quiriate-Arba (Hebrom), Abraão comprou de Efrom, o heteu, uma caverna para sepultamento para sua família em Macpela (Gn 23.17-20). A Bíblia registra que nas tumbas desta caverna foram sepultados Abraão e Sara, Isaque e Rebeca, Jacó e sua esposa Lia. Indubitavelmente, seu caráter como lugar dos patriarcas fez da cidade a escolha de Deus para a capital do país sob o reinado de Davi (2 Sm 2.1-4; 5.3-5). Sobre a área da caverna hoje permanece de pé uma maravilha arqueológica — uma construção ainda intacta com mais de 2 mil anos. Este edifício, que foi construído para comemorar e preservar o lugar do sepultamento deles, é datado pela maioria dos eruditos como do tempo de Herodes, o Grande. Outros eruditos, porém, acreditam que a construção original é muito mais antiga. Ninguém na história recente explorou o interior da caverna, mas existe evidência da presença de várias tumbas em covas da Era do Bronze Médio I debaixo do prédio. A única entrada para a caverna durante os tempos modernos foi logo depois que Israel ganhou de volta o acesso ao local durante a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967. Moshe Dayan fez uma garota israelita bem magra, chamada Michael, passar através da única entrada disponível para a caverna, uma entrada de ar de onze polegadas dentro do nível superior da construção. Enquanto sentia seu caminho em completa escuridão, ela media e fotografava um longo corredor (cerca de 19 metros) e 16 degraus que levavam a uma câmara maior. Além da presença de vários blocos de pedra, que podiam ser pedras de tumbas (uma estava escrita em árabe com palavras do Alcorão), nada deste ponto em diante podia ser examinado. Visitantes à Tumba dos Patriarcas hoje não podem nunca entrar exceto no nível superior do edifício, onde centotaphs (tumbas comemorativas) dos patriarcas e matriarcas podem ser vistas. O lugar do sepultamento de Raquel De acordo com a Bíblia, dois membros da família de Abraão não foram incluídos na caverna de sepultamento — a esposa favorita de Jacó, Raquel, e seu estimado filho José. José foi enterrado em Siquém (moderna Nablus), mas o lugar de seu Continue lendo

A historicidade do Êxodo

A historicidade do Êxodo

Estabelecer a historicidade do êxodo é um dos maiores problemas que permanecem para os eruditos bíblicos. A narrativa bíblica do êxodo tem sido notoriamente de difícil confirmação através da evidência arqueológica, causando assim sérias dúvidas sobre a autenticidade do evento. Um obstáculo para a aceitação do êxodo como um verdadeiro acontecimento tem sido a incapacidade dos eruditos de reconciliar os acontecimentos do êxodo com a cronologia bíblica e arqueológica. Uma data antiga no século XV a.C. (1446-1441 a.C.) para o êxodo está em maior harmonia com a cronologia interna do Antigo Testamento (veja 1 Rs 6.1). O clássico estudo cronológico feito por Edwin Thiele fixou a antiga data de 1447 a.C. para o êxodo. De acordo com esta data, o faraó da opressão era Tutmose I ou Tutmose III e o faraó do êxodo foi Tutmose II ou Amenotep II. A biografia antiga de um oficial naval egípcio chamado Amenemhab, que serviu sob diversos faraós deste período, nos mostra que aquele Tutmose III morreu no tempo da Páscoa no início de março de 1447 ou 1446 a.C. Assim, sua morte ocorreu exatamente no tempo certo para encaixar-se com a cronologia bíblica e os acontecimentos do êxodo. Todavia, William Shea recentemente argumentou num documento não publicado que Tutmose I e um recém- instalado filho co-regente — a princípio Tutmose II — morreram juntos perseguindo os escravos israelitas (como talvez implícito em Êx 15.4,19). Ele crê que seus corpos não tenham sido recuperados (daí as múmias designadas a eles no Museu Egípcio no Cairo estarem erroneamente identificadas). Ele baseia seu argumento em novas fotografias de Oral Collins das inscrições do Vadi Nasb do Sinai, descobertas pelo professor Gerster muitas décadas atrás, que pretendem registrar o nome de Tutmose I e desenhar imagens tanto dele como de seu filho e os eventos relacionados ao êxodo. O problema com a data antiga é que apesar de sua harmonia com fontes bíblicas e extrabíblicas, falta sustentação suficiente no registro arqueológico. Uma data posterior no século XIII a.C. (1280-1200 a.C.) parece oferecer maior apoio arqueológico (veja Êx 1.11), mas tem significativos problemas cronológicos e não pode se acomodar aos eventos da Conquista. De acordo com esta data, o faraó tanto da opressão como do êxodo foi Ramsés II e seu sucessor foi Merneptá. A falta de consenso tem gerado outras opções que geralmente exigem a revisão da cronologia egípcia ou que tomem a arqueologia bíblica como uma estimativa aproximada ao invés de uma indicação precisa. Esta revisão posterior leva a data de volta a 1470 a.C. Faulstich chegou a datas incrivelmente precisas para todos os acontecimentos do êxodo através de suas correlações computadorizadas de informações sobre datas astronômicas, informação bíblica a respeito de acontecimentos astronômicos (surgimento de estrelas, fases da lua e eclipses), os ciclos semanais do dia hebraico, e datas específicas apresentadas na Bíblia. Apesar de não ter-se chegado ainda a consenso algum, a busca contínua por evidência arqueológica dos registros do êxodo reafirma a importância do evento para os estudantes da Bíblia. A importância Continue lendo

Tocando no sepulcro de Jesus

Tocando no sepulcro de Jesus

A arqueologia revelou numerosos sepulcros em Jerusalém com pontos semelhantes à descrição do Novo Testamento do sepulcro de Jesus. Um deles é o “Sepulcro da Família de Herodes”, hoje localizado nos gramados do famoso King David Hotel. Apresenta um sepulcro de classe rica do período herodiano com uma pedra rolante ainda no lugar ao lado da entrada. Contudo, quando os turistas em Jerusalém são levados para visitar o sepulcro de Jesus, em geral são lhes mostrados dois lugares que os guias dizem que competem pelo título do local do sepultamento de Jesus. Um deles é o local protestante conhecido como Calvário de Gordon, assim chamado por causa do nome daquele que o descobriu em 1883, Charles Gordon. O outro é o local tradicional da Igreja do Santo Sepulcro, cuja história remonta a pelo menos o século IV d.C. (baseado na existência de colunas ainda em uso hoje procedentes da igreja de Constantino e sua descrição em fontes bizantinas). Enquanto que a maioria dos cristãos evangélicos prefere o local sereno e calmo da Tumba do Jardim situada próxima à colina que Gordon identificou como a Colina da Caveira ou Gólgota, não há nenhuma evidência arqueológica que apoie este local. Previamente seu principal apoio adveio do fato de que estava fora dos atuais muros da Cidade Velha, ao passo que a Igreja do Santo Sepulcro situava-se dentro. Considerando que o Novo Testamento deixa bem claro que Jesus foi crucificado “fora da porta” (Jo 19.20; Hb 13.11,12) e que foi presumido que os modernos muros seguiram o curso antigo, o apoio para a Igreja do Santo Sepulcro dependia principalmente da tradição. Porém, em fins da década de 1960, Kathleen Kenyon descobriu prova de que o muro que hoje inclui o local tradicional era um “Terceiro Muro” construído depois do tempo de Jesus (cerca de 41 d.C.). Portanto, quando Jesus foi crucificado, teria estado fora do antigo “Segundo Muro”. Além disso, em 1976, Magen Broshi desenterrou uma porção de muro herodiano na seção nordeste da igreja. Isto significa que quando Jesus foi crucificado a área na qual a igreja está construída achava-se imediatamente fora do Muro Ocidental da cidade na linha do Primeiro Muro. Outros descobriram que havia uma “Porta do Jardim” neste muro, o que concorda com as referências a um jardim nesse lugar (Jo 19.41; 20.15). Outrossim, Gabriel Barkay e Amos Kloner, arqueólogos de Jerusalém, demonstraram que a Tumba do Jardim é inegavelmente parte de um sistema de sepulcros na área, o mais proeminente dos quais está próximo à porta da Tumba do Jardim na propriedade da Escola Francesa de Arqueologia, a École Biblique. Todos os sepulcros neste complexo de sepulcros datam da época do Primeiro Templo ou da Idade do Ferro II (séculos VIII-VII a.C.). Pela razão de o Novo Testamento dizer que Jesus foi enterrado num “sepulcro novo, em que ainda ninguém havia sido posto” (Jo 19.41), a Tumba do Jardim deve ser descartada para efeito de consideração. Ao contrário, os sepulcros nas redondezas da Igreja do Santo Sepulcro são Continue lendo

Sodoma e Gomorra

Sodoma e Gomorra

A Bíblia registra que no tempo de Abraão, uma pentápolis (um grupo de cinco cidades) se estendia ao longo da bem irrigada planície na porção sul do Vale do Jordão (Gn 13.10-11). Em um dos relatos mais memoráveis da Bíblia, lemos que uma destruição cataclísmica cobriu duas destas cidades — Sodoma e Gomorra (Gn 19.24-29). De acordo com a Bíblia, os habitantes eram tão ímpios (Gn 18.20; 19.1-13) que uma chuva de “fogo e enxofre” foi enviada por Deus em juízo. Como resultado, a reputação das cidades como “cidades de pecado” tornou-se um exemplo na Bíblia; os profetas e Jesus frequentemente usando a frase “como Sodoma e Gomorra” em advertências de castigo divino. A infâmia destas cidades persiste até hoje preservada em nossa palavra portuguesa sodomia. Ceticismo dos eruditos Para muitos eruditos da Bíblia e arqueólogos, a história de Sodoma e Gomorra é apenas isso — uma história. Os mais críticos eruditos da Bíblia, como Theodor Gaster, chamaram-na de “história puramente mítica”. Para a maioria dos eruditos críticos ela é uma “extraordinária história-origem” criada por contadores de história israelitas mais tarde para comunicar assuntos teológicos e sociais, não para preservar a memória dos lugares e acontecimentos históricos. Outros eruditos dizem que existe uma fração de historicidade dentro de um grande conteúdo de tradição literária posterior. Não é totalmente ficção, mas um “fragmento de memória local,” tomada por israelitas e ampliada pela imaginação. Assim, a história incorpora uma explicação extrabíblica pré-israelita dos que viviam na região pela degeneração de seu ambiente e perturbações militares. Algumas tentativas científicas para validar o evento histórico têm sido inconsistentes em seu tratamento da evidência bíblica e arqueológica. Num livro recente, dois geólogos argumentam que um forte terremoto (mais de 7 pontos na escala Richter) ocorreu ao longo de uma falha do vale aberto onde o mar Morto repousa hoje. Eles conjeturam que este terremoto, que incendiou “leves frações de hidrocarbono escapando dos reservatórios subterrâneos” (a “chuva de fogo e enxofre”) destruiu Sodoma, Gomorra e Jericó, e até parou o rio Jordão por vários dias. Dizem que estes acontecimentos ocorreram todos simultaneamente por volta de 2350 a.C. Com esta conclusão aglomerando os destinos bíblicos de Sodoma e Gomorra e o de Jericó (que só ocorreu mais de 900 anos depois), é óbvio que a alta consideração destes autores por geologia e climatologia não é da mesma forma estendida às Escrituras. Pelo contrário, eles disputam que estes relatos bíblicos foram o resultado de lembranças primitivas destes desastres geológicos, os quais foram mal recontados nas tradições religiosas das pessoas através dos tempos. Consequentemente, estes eventos foram ingenuamente atribuídos a Deus e erroneamente ligados a diferentes histórias dentro da historiografia israelita. A despeito de sua “abordagem científica,” os autores não oferecem evidência histórica ou arqueológica para sustentar sua teoria, e, como um revisor arqueológico observou, eles cometeram “numerosos erros discutindo sítios arqueológicos e teorias.” Declarações da antiguidade Os escritores que redigiram a Bíblia, em contraste, acreditavam que a narrativa era história genuína. Eles citaram-na como referência de valor histórico, Continue lendo

Esclarecendo o mundo da Bíblia através da arqueologia

Esclarecendo o mundo da Bíblia através da arqueologia

Antes da arqueologia, a Bíblia era a testemunha solitária do que então se conhecia como “história sagrada”. As Escrituras, porém, assemelhavam-se a um livro exótico, narrando a história de uma civilização alienígena, desvinculado de pessoas e eventos reais. Sem acesso ao material do passado, cada um concebia o mundo bíblico à sua maneira. Porque a maioria da população mundial era analfabeta — situação que se estendeu até os tempos modernos — e cabia à arte e à arquitetura o papel de instruir o povo a respeito da vida nos tempos bíblicos. O mundo espiritual era elevado na arquitetura das catedrais, por exemplo, posicionando o homem comum ainda mais distante da realidade do mundo da Bíblia. Desde os mosaicos até as pinturas e esculturas em relevo, ilustrava-se a vida dos santos e pecadores das páginas sagradas, mas somente à luz limitada da época e dos conhecimentos do artista. Defrontei-me pela primeira vez com esse dilema durante uma exposição especial no Museu de Israel intitulada “Rembrandt e a Bíblia”. Graduado em arte e em teologia, interessei-me por aquela singular apresentação das obras do mestre holandês. Uma das primeiras cenas que vi estava num esboço, datado de 1637, que representava um homem, obviamente rico, de pé na escada à porta de sua mansão. Vestia turbante, túnica com cinto, botas de cadarço, casaco de pele, e tinha um cão obediente aos seus pés. Também faziam parte da cena um garoto vestido com pesada roupa de viagem e botas e um a mulher, semelhantemente vestida, que segurava um lenço de seda. Ao fundo, altas construções de pedra e grandes árvores verdes junto das quais uma mulher observava o homem que aparentemente dizia adeus à mulher chorosa e ao garoto. () lema da obra era a despedida de Agar e Ismael, e o homem era Abraão. Porém, conhecendo o mundo da Bíblia, jamais teria concebido a cena tal como se mostrava diante de mim! As personagens estavam vestidas para um clima frio, e não para o escaldante deserto do Neguebe. Onde Abraão morava não havia aquelas árvores e provavelmente nem cachorros — pelo menos não os domésticos. E os patriarcas moravam em tendas, não em mansões elegantes. Quase que por ironia poucos passos à frente da sala onde eram exibidas aquelas concepções erradas do século XVII ficava a exposição permanente da seção arqueológica do museu, que guardava remanescentes arqueológicos da época de Abraão. O contraste saltava aos olhos. As relíquias pintavam um quadro muito diferente do de Rembrandt, mostrando a realidade da vida nômade dos beduínos e da sociedade que cercava os patriarcas. Rembrandt não poderia mesmo saber como pintar Abraão e Sara, naturais da Mesopotâmia, ou a egípcia Hagar num ambiente cananita. Não havia referências daquela época para suprir a sua arte. A arqueologia mudou essa situação para sempre, fornecendo tanto ao artista quanto ao espectador uma visão acurada do ambiente original dos patriarcas. Esculturas de palácios da Mesopotâmia, cerâmica e artefatos cananitas e painéis pintados das tumbas egípcias, todos datando do período patriarcal, tornaram Continue lendo

Conheça 8 mulheres notáveis na história da Igreja cristã

Conheça 8 mulheres notáveis na história da Igreja cristã

No Dia Internacional das Mulheres, inspire-se com a história de mulheres que se dedicaram ao Evangelho.   O mundo inteiro celebra nesta sexta-feira (8) o Dia Internacional da Mulher, que surgiu no final do século XIX com a luta por melhores condições de vida e trabalho e direito de voto às mulheres. Muitas mulheres também se tornaram ícones no âmbito cristão, contribuindo para as obras evangelísticas, sociais e missionárias. Inspire-se na vida de oito mulheres notáveis ​​na história da Igreja: Susanna Wesley Susanna Wesley, mãe dos fundadores do Metodismo, John e Charles Wesley. (Foto: Domínio Público) Susanna Wesley era esposa de um pastor anglicano e mãe dos irmãos Charles e John Charles Wesley, que fundaram o influente movimento metodista do século XVIII. Ela é conhecida como a “Mãe do Metodismo” porque, mesmo não sendo oficialmente parte do ministério, Susanna teve uma forte influência nos hábitos espirituais dos irmãos Wesley. O Rev. Alfred T. Day III, da Comissão Geral de Arquivos e História da Igreja Metodista Unida, afirmou em 2016 que Susanna fez “uma grande diferença na criação” dos rapazes. “John e Charles são filhos da mãe deles. Ela é a pessoa responsável pela sua educação e formação espiritual”, explicou Day. “A diferença que ela fez está viva desde a história dos séculos 17 e 18 até o presente momento, por causa dos filhos que ela criou”. Fanny Crosby A famosa escritora de hinos Fanny Crosby, cega desde a infância. (Foto: Domínio Público) Frances Jane Crosby, nascida em 1820 e mais conhecida como Fanny Crosby, perdeu a visão quando era criança devido a uma infecção e maus-tratos médicos. No entanto, Crosby não deixou que essa deficiência a impedisse de ser uma prolífica escritora de hinos, tendo criado mais de 8 mil músicas. Crosby foi a mente por trás de muitos hinos que ainda estão em uso, como “A Deus demos glória”, “Quero estar ao pé da cruz”, “Junto a Ti” e “Quero o Salvador comigo”. Além de ser uma hinista, ela também foi uma autora de poesias, com seu primeiro trabalho publicado “Uma garota cega e outros poemas”, lançado em 1844.   Catherine Booth   Catherine Booth, co-fundadora do Exército da Salvação. (Foto: Domínio Público) Junto com seu marido, William, Catherine Booth ajudou a fundar o Exército da Salvação em 1865 em Londres, na Inglaterra. Originalmente chamado de Missão Cristã, o Exército era conhecido por seus esforços de caridade nos bairros mais oprimidos da cidade. Catherine era ativa no movimento desde jovem, liderando uma turma da Escola Dominical e tendo a reputação de ser uma pregadora apaixonada. “Oposição! É um mau sinal para o cristianismo nestes dias que provocamos tão pouca oposição. Se não houvesse outra evidência de estar errado, eu deveria saber disso”, ela declarou em um de seus sermões. “Quando a Igreja e o mundo puderem caminhar juntas confortavelmente, você pode ter certeza de que há algo errado. O mundo não mudou. Seu espírito é exatamente o mesmo de sempre e, se os cristãos fossem igualmente fiéis, devotos ao Senhor e separados do Continue lendo

Crítica Textual do Novo Testamento

Crítica Textual do Novo Testamento

Resumo do livro: Crítica Textual do Novo Testamento Crítica Textual é ciência que procura restabelecer o texto original de um trabalho cujo autógrafo não mais exista ela é conhecida nos meios seculares como ecdótica (exame crítico e fidedigno de uma obra – dicionário informal), a crítica textual era chamada de baixa crítica. Os críticos textuais do N.T. utilizam nesse processo as cópias manuscritas dos livros apostólicos na língua original grega, mas também antigas versões e citações de passagens bíblicas de antigos escritores. A prática da crítica textual, portanto exige um conhecimento especializado dos diferentes manuscritos e das respectivas famílias textuais, por isso é necessário conhecimento da paleografia grega e do cânon (certos critérios científicos estabelecidos pelos críticos textuais para propiciar uma escolha inteligente entre dois ou mais textos divergentes), além do vocabulário e da teologia do autor cujo livro se examina. Só assim serão exequíveis a reconstituição da história do texto sagrado da forma mais completa possível e a consequente edição de um texto que busque refletir com exatidão os termos do original. A razão para a perda dos autógrafos neotestamentários foi a pouca durabilidade do material como o papiro material utilizado na época, os manuscritos originais do N.T. foram lidos e relidos pelos cristãos apostólicos até de desfazerem e caírem em pedaços, porém antes que se tornassem ilegíveis ou desaparecessem foram copiados e nessas cópias manuais alguns erros foram introduzidos. Esse processo de cópias e recopias manuais se estenderam por quatorze séculos até a invenção da imprensa. À medida que se aumentava o número de cópias se multiplicavam as divergências entre elas, pois cada escriba acrescentava os próprios erros àqueles já cometidos pelo escriba anterior e essas variantes textuais têm suscitado sérios problemas para os estudiosos do N.T. Qual a forma correta do texto, ou o que dizia exatamente o original? A essa pergunta é que tratam de responder os críticos textuais e eles procuram reconstruir o texto que possua a maior soma de probabilidades de ser o original ou a forma primitiva do autógrafo. Da crítica textual dependem todas as demais ciências bíblicas que corporalizam a religião cristã, pois lança os fundamentos sobre os quais toda e qualquer investigação bíblica deva ser construída. Sem um texto grego fidedigno tão mais próximo do original quanto possível não há como se fazer crítica histórica ou literária, exegese, teologia, nem mesmo um sermão para não falar em tradução por isso consiste num pré-requisito para todos os outros trabalhos bíblicos teológicos. TeologiaOnline REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: Livro: Crítica Textual do Novo Testamento – Wilson Paroschi Editora Vida Nova

Três elementos para a espiritualidade cristã

Três elementos para a espiritualidade cristã

Resumo do livro: Uma Introdução à Espiritualidade Cristã. Nesse artigo/resumo falaremos sobre os três elementos principais do cristianismo que definem a espiritualidade cristã. Introdução: O que é espiritualidade É difícil ter uma definição específica para o tema espiritualidade, por causa da variedade de sentidos com que é aplicada e por causa das controvérsias dos estudiosos especializados sobre esse tema. Espiritualidade é algo pessoal é a maneira de ver as coisas e vive-las é uma experiência diária  que se mostra nas atitudes para com o próximo. A marca da espiritualidade é o amor que se desdobra em atitudes e ele autentica a presença de Deus. A palavra espiritualidade está baseada na palavra hebraica ruach e esse termo é traduzido por espírito, vento, fôlego e essa palavra o sentido de animar uma pessoa de impulsiona la de sustenta la nos levando a refletir que espiritualidade é algo prático e dinâmico. Espiritualidade é a pratica na vida real da fé religiosa de uma pessoa, envolve o que a pessoa crê e como ela exercita essa sua crença na sua vida diária. No livro uma introdução à espiritualidade cristã o autor (Aliester E. McGrath, pg 20), traz a seguinte definição “Espiritualidade refere-se à busca por uma vida religiosa autêntica e satisfatória, envolvendo a união de idéias específicas de determinada religião com toda a experiência de vida baseada em e dentro do âmbito dessa religião.” Devido ao materialismo e a crescente valorização aos bens materiais nos últimos anos tem crescido o interesse pelo estudo geral da espiritualidade. Segundo inúmeras evidências a espiritualidade pessoal tem efeito terapêutico positivo sobre os indivíduos. Esse processo de espiritualidade não é fácil e não ocorre de uma hora para outra é demorado e dura a vida toda, o processo se inicia quando homens e mulheres se lançam no caminho do discipulado com Cristo. A espiritualidade ao longo da história da igreja cristã trouxe benefícios e renovação para o povo de Deus e ela gera pessoas motivadas a buscarem uma vida de transformação e santidade e faz a igreja buscar o fervor que se perdeu durante a caminhada. No cristianismo espiritualidade significa viver um encontro real e pessoal com Jesus Cristo e experimentar sua presença diariamente através das praticas devocionais onde somos supridos quando nos aprofundamos na experiência com Deus. Agora falarei sobre os três elementos principais do cristianismo que definem a espiritualidade cristã Um grupo de crença Crença é tudo aquilo que uma pessoa acredita como sendo a verdade absoluta sobre algo específico. Para essa pessoa essa “crença” passará a ditar as regras sobre uma situação e influenciará a sua experiência. Embora o cristianismo seja uma religião complexa e diversificada, e mesmo existindo diferenças entre os cristãos sobre as diversas questões doutrinárias existe um grupo de crenças em comum por trás dessas diferentes diversidades. Essas crenças estão expressas nos credos do cristianismo e são aceitos como declarações de fé por todas as principais igrejas cristãs. E essas crenças influenciam diretamente como os cristãos vivem, e elas fazem parte da espiritualidade. Algumas crenças Continue lendo

A exegese e suas falácias

A exegese e suas falácias

Resumo do livro: A exegese e suas falácias – Os perigos da interpretação bíblica O sinônimo para falácia é erro e nesse livro o autor não procurou expor suas opiniões antes procurou demonstrar exemplos de falácias cometidas. Através desses exemplos D. Carson procurou mostrar a interpretação mais coerente segundo esses exemplos e o que estas passagens bíblicas quiseram ensinar para os primeiros ouvintes, e o que ela quer nos ensinar, por isso devemos interpretá-las para o nosso contexto social, político, religioso e cultural. Esse estudo é muito importante, porque nós infelizmente cometemos falácias exegéticas e isso pode acarretar consequências eternas, pois estamos lidando com os pensamentos de Deus, e temos que nos esforçar ao máximo para entendê-los verdadeiramente e explicá-los com clareza. Segundo o autor nós temos que fazer uma interpretação mais crítica das escrituras, no sentido de uma justificação mais adequada obedecendo aos padrões: lexical, gramatical, cultural, teológico, histórico, geográfico, etc. A exegese crítica é contrária às opiniões simplesmente pessoais e pontos especulativos, muitas vezes lemos os textos bíblicos e aplicamos nossa interpretação pessoal ao texto, nós utilizamos nossa interpretação tradicional que aprendemos com as pessoas e por isso muitas vezes usamos uma interpretação contrária ao que o texto quis dizer para seus primeiros ouvintes e o que o texto quer dizer para que o lê aplicando assim aquele texto para sua vida de uma forma equivocada. Esse estudo é para alcançarmos unanimidade nas questões de interpretação que ainda nos dividem, temos que tomar cuidado com as interpretações alternativas, por causa disso tem surgido vários tipos de interpretações doutrinárias e divisões nos tornamos inimigos e lutamos pelo mesmo propósito de ser a igreja de Cristo. Temos que utilizar os recursos disponíveis a nossa disposição para que possamos entender a bíblia da forma mais correta possível. Não podemos nos acomodar achando que a nossa interpretação é a correta devemos, portanto ouvir outras opiniões para que possamos nos aproximar da mensagem como Deus realmente quis transmitir. A exegese também tem seus riscos ela pode nos levar há uma destruição espiritual, porque ela vai tirar a segurança que tínhamos em relação ao que acreditávamos devido a nossa interpretação equivocada das escrituras, ela vai quebrar nosso falso alicerce que nos sustentava em uma errada interpretação. O estudo crítico das escrituras nos distanciam um pouco da espiritualidade, porque seremos levados a duvidar e essa dúvida pode matar nossa fé, mas esse distanciamento é bom porque nos aproximará do pensamento do autor e assim entenderemos o que ele quis transmitir em seu tempo, sua cultura e em sua história. Na parte que o autor fala sobre falácias vocabulares ele orienta os leitores a tem em mente que o tempo é outro, as palavras mudam de significado de acordo com a época, não podemos usar uma palavra recente para entender algo do período anterior ou uma palavra de período anterior e utilizá-la atualmente, pois cada período tem suas palavras específicas, devemos tomar cuidado antes de associar uma palavra com a outra por ter radical parecido, antes de se Continue lendo

As Polêmicas do dízimo e ofertas

As Polêmicas do dízimo e ofertas

A Paz, tudo bem com você hoje? Estive pensando essa semana sobre dízimos e ofertas. Chega a ser polêmico falar sobre esse assunto, muitas pessoas já não aguentam mais ouvir sobre teoria da prosperidade. E antes que você pare de ler porque eu toquei nesse assunto, não é só sobre isso que vou falar hoje… É muito fácil se tornar alguém que serve ao dinheiro… A crise econômica no país, as contas para pagar, a falta de oportunidade de emprego. O índice de desemprego só tem crescido no Brasil. Muitas pessoas não conseguem administras suas próprias finanças. (Tenho algo que pode te ajudar com isso, clique aqui.) Algo que tenho percebido, é que quem se importa muito com o dinheiro, acaba se tornando escravo dele. E Jesus disse que nós não poderíamos servir a Deus e as riquezas. Quanto mais você prioriza as coisas desse mundo, menos em Deus você consegue estar. Dizimar e ofertar não tem apenas a ver com o dinheiro, com o sustento da casa de Deus ou até mesmo com o Pastor. Tem a ver com o nosso coração! Quem está em primeiro lugar? Quanto mais nós nos desprendemos das coisas materiais, mais abençoados nós somos porque estamos priorizando as coisas do Céu. É claro que é frustrante ver pessoas agindo de maneira contrária a verdade, mas você não presta contas pelos erros das outras pessoas. A casa de Deus precisa ser mantida e precisa de suporte para continuar de portas abertas abençoando muitas pessoas. E em meio a tanta coisa que ouvimos, fica muito difícil compreender o que Deus pensa a respeito das nossas finanças. O Dízimo continua após o Novo Testamento? Por que devemos ofertar na casa de Deus? É fácil explicar tais coisas de maneira natural falando sobre o nosso coração, sobre a manutenção da casa de Deus. Mas o que realmente a Bíblia diz a respeito das nossas finanças? Como Deus age nessa área das nossas vidas? Você sabia que pode transformar totalmente a sua vida financeira usando princípios da Palavra de Deus? Isso é possível e a Bíblia nos ensina muitas coisas a respeito da vida financeira. Segundo pesquisas, as maiores preocupações dos brasileiros são com suas finanças. Deus não pode ser Senhor de apenas algumas áreas da nossa vida, Ele tem que ser Senhor de todas. Eu não sei como anda a sua situação mas eu sei que a luz das escrituras tudo pode ser resolvido. E para isso compilamos um estudo (Mais detalhes aqui) onde nele é apresentado uma sólida base bíblica para te levar a entender o sucesso financeiro que está diretamente ligado a princípios da Palavra que te farão vencer nessa área.  

Oficialização Imperial do Cristianismo

Oficialização Imperial do Cristianismo

Breve história da oficialização do Cristianismo como religião oficial e estatal do Império Romano De acordo com essa abordagem, o mundo é visto como ambiente hostil para a fé e prática cristãs. Os valores do Reino de Deus contrastavam com os do mundo. Esse tipo de espiritualidade teve importância substancial nos primeiros séculos da história cristã, quando o cristianismo era visto com intensa desconfiança e suspeita pelas autoridades seculares e, na época foi ativamente perseguido. Entretanto, uma vez que o imperador romano Constantino se “converteu” ao cristianismo, a situação ficou completamente diferente, pois ele o tirou da clandestinidade e mais adiante Teodósio reconhece o cristianismo como religião estatal. O cristianismo tornou-se rapidamente a religião oficial do Império Romano. Na opinião de muitos, o resultado foi uma acomodação aos valores seculares. Os bispos começaram a imitar as vestimentas e os costumes dos líderes seculares usando, por exemplo, vestes púrpuras ou roxas que são símbolos de riqueza e poder. A aceitação da igreja como religião oficial do Império Romano trouxe consigo certos privilégios. Os bispos, com isso, foram vistos como pessoas de importância, passando a utilizar símbolos romanos de hierarquia como indicação de seu novo status social. Também provocou o surgimento do que foi muitas vezes chamado de “teologia imperial”, isto é, uma abordagem à teologia e espiritualidade que via Roma como a nova Jerusalém. Ocupando um papel divinamente instituído no governo do mundo. A “teologia imperial” era especialmente ligada a Eusébio de Cesaréia. Esta teologia via o Império Romano como o clímax dos propósitos redentores de Deus, retratou Constantino como instrumento escolhido por Deus para a conversão do império. Isso fez muitos acreditarem que os ideais cristãos tinham sido comprometidos. O movimento monástico é considerado uma revolta contra a acomodação surgida entre “A IGREJA E O ESTADO”, RESULTANDO NA DIFICULDADE DE DIFERENCIAR-SE UM DO OUTRO. Os mosteiros eram tidos como centros do cristianismo autêntico, isolados das tentações de poder e riqueza, nos quais podia buscar a verdadeira visão cristã. Aos poucos o formalismo religioso tomou lugar da verdadeira espiritualidade, regimentos de soldados eram batizados por ordem do imperador. A maioria aderia à nova religião do imperador, mas, os que não eram verdadeiramente convertidos, sentiam falta do paganismo, aí começavam a voltar gradativamente, travestidos de nomes cristãos, entidades e festivais pagãos. E a doutrina bíblica foi aos poucos desaparecendo, dando lugar a um corpo de tradição de homens, baseado no paganismo. Pra muitos o afastamento do mundo era o único meio garantido para assegurar a salvação da pessoa. Apesar da reforma protestante ter rejeitado o ideal monástico, a dupla temática de renúncia e hostilidade ao mundo em virtude do cristianismo verdadeiro foi retomada e desenvolvida pela ala mais radical do movimento. TeologiaOnline Fonte Consultada:  Aliester .E. McGrath, 1999- Uma Introdução à Espiritualidade Cristã, VIDA.